A Jornada

O começo e o fim

O Louco no tarô é o fim e o começo. A ele não foi reservado nenhum número. Ele é o zero. O nada. O inexistente. E ainda assim onde tudo acontece.  é o que guarda o lugar para “o vir” a ser. E ali no último passo em direção ao fim nos deparamos sempre com um novo começo. Lugar no tempo espaço onde o tudo e o nada podem acontecer. É o útero que nos prepara. O passado de vivências e o futuro por construir. O ponto entre os planos da vida; a despedida do plano sutil para o mundo da forma.

Cada porta um estágio de aprendizado que terá que cumprir até estar pronto para a próxima etapa. Em alguns pode parar mais do que o necessário e em outros sem que o queira, terá que ficar mais tempo do que gostaria. E por estarem todas as portas interligadas é possível que as abra fora de ordem, seguindo os seus ímpetos. O ciclo se cumprira quando todas as prerrogativas desta existência tiver se cumprido. E a jornada só terá fim quando a última porta que fecha o ciclo desta vida se completar. O louco é o ser liberto das correntes que o mantinha preso ao passado. Diante de si o novo, o não explorado ou o velho renovado. Limpo e destituído do supérfluo abre-se para ser enriquecido com novos recursos na próxima viagem.símbolo da carta nos mostra um bobo da corte ou um andarilho, suas vestes são coloridas e tem consigo tão somente uma trouxa que carrega às costas e uma espécie de cajado em sua mão. Atrás de si a morder-lhe a perna um cão. O colorido das roupas nos remete aos quatro elementos da natureza e seus atributos e que ele tem a sua disposição, ainda que em forma bruta. A trouxa as costas a sua única bagagem, que em algum momento terá que abrir mão para receber plenamente os benefícios do novo; o cajado, o poder que trás consigo para guiá-lo em sua jornada, o símbolo que o liga a terra. O cão a instintividade, um caminho de duas mãos que terá que aprender a usar em seu beneficio.


Esse louco que habita em nós, esse nós que somos o próprio louco. Esse estado diferenciado da natureza que nos tira os filtros e que nos torna transparentes, inconseqüentes. Essa despreocupação com a opinião do mundo, que trás uma coragem e uma ousadia. A loucura que leva a uma busca que parece insensata para quem está de fora, mas de um valor inestimável para quem tem coragem de vivê-la. O louco o estado de liberdade absoluta, onde a vida se abre para possibilidades infinitas. Sonhemos o sonho do louco ele é o caminho para novas percepções. A caminhada destinada ao Homem e a sua evolução.

Em meio às brumas da própria insensatez e pureza, o desconhecido se apresenta ao louco, que sem medo segue adiante até encontrar o caminho que o levará a novas vivências. Diante de si vinte e uma portas. Vinte e um campos de experiências onde uma nova etapa da sua existência terá início. Cada uma oferecendo oportunidades, mas antes disso o desafio. Tão logo inicie a jornada e atravesse a primeira porta ele se perderá em uma nova consciência esquecendo-se do ser primordial.


O mago – A primeira porta

A primeira porta se abre, e ao atravessá-la o caos se dilui. O sutil ganha forma e se manifesta através dos objetos a frente do Mago, dispostos sobre a mesa. Objetos que representam os recursos disponíveis para empreender a nova jornada.A força dos elementos, que se mostram diante do Homem nascido, sem se revelarem.


O bastão, o fogo, a fé, a intuição, a ousadia. A taça, as águas do espírito; os sentimentos e emoções. As moedas, a terra, a materialização dos anseios e desejos. Aqui e mais do que apenas acumular bens. A espada, o mundo das idéias, o pensamento que cria, que socializa e que se opõe.


O mago carrega consigo a força do princípio. E seu maior atributo é experimentar a vida. Tudo é muito novo e imaturo, por isso frágil. Mas ele conta com o próprio infinito, representado acima da sua cabeça pelo chapéu que carrega em forma de lemniscata. Revelando as oportunidades através dos incontáveis ciclos de morte e renascimento.


Nesta primeira estação o Homem nem sempre saberá conduzir adequadamente os atributos que trás consigo. Este será o seu aprendizado, compreender como maneja-los, e isso só será possível à medida que avançar sem medo pelo caminho, a ele destinado. Agirá com o entusiasmo e a inocência da criança. Mas é da força dessa semente que brotará o Homem inteiro, entre erros e acertos. É ela que o conduzirá a todas as demais portas para experimentar a vida em todas as suas expressões, e descortinar os mistérios que residem dentro de si mesmo.

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